CELACANTO
PAULO PRATES JR.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Fotos
Nuances e fragmentos
De espelhos adversos
Decifram a lente de tantas cores
Mantras na fotografia
Refletem a imagem
Do calor que transfigura
terça-feira, 17 de maio de 2011
Sala
O azulejo alvo de parede fria
Ofusca minha percepção dos fatos
E a luminária está apagada
Agora sei quem sou
domingo, 15 de maio de 2011
Campos
Paredão cinza bloqueia
Lágrimas que caem da pedra
Aparadas pela natureza
Canela brava
Caracóis perambulam pelo verde
Corredeiras me perseguem
Enquanto a coruja dorme sossegada
Passeio
Passeio embaixo da pérgula
Corpos frutíferos vicejam
E nessa arte me componho
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A luz que invade sem agonia
Traz com ela a canção
Carros canoros
Corpos carnosos
Reflexão
A intensa roda gigante
Onde a areia passa
Até o mergulho
O que será do amanhã?
terça-feira, 10 de maio de 2011
A ave berra ao som da palmeira
Onde o vento ligeiro
Rasga o céu
O homem ali prostrado
De pescoço inclinado
Varre a cena repentina
Sem pedir licença
Ao romper do dia
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Corre o tempo a beira rio
E o vento forte a jusante
Balança as camisas molhadas de sol
Sal que escorre pelo caminho túrgido
segunda-feira, 18 de abril de 2011
A luz ao longe
Clara ilumina
Ela observa o asfalto úmido
Que flutua na direção do lago
Tristeza
Afago que se apaga
Na miragem do deserto
terça-feira, 12 de abril de 2011
A folha composta dança em meio ao refúgio
Onde linhas paralelas coalescem
Sentada
A cadeira vigia
Espia o imaginário templo
A espera do lírio
Na sala sete quatro
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