domingo, 15 de abril de 2012


Brisa mansa no lençol de seda enrugado
Corda amarrada ao cedro
Tempo nublado atrás da porta de vidro

Flor rósea desbotada em fios
Espia filete de luz
Espinhos em torno de si

Rabisco risco
Rasgo
Folhiço sujo de ontem à tarde

Ainda tem você na sala

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A haste dúbia
Fomenta a história em linhas distorcidas

Fim de tarde laranja
Atrás da árvore farta
Chão de barro ocre

Crio caricaturas disformes

Verdes espinhos que emanam verticilos
Desabrochar ronceiro na casa doze

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Domingo

Mesa de madeira mogno
Sereno
Entre folhas caducas e espinhos
Canso a espera da flor no vaso de pedra
Esqueço-me de regar as plantas

Ora, quem é que não sabe o que é se sentir sozinho

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um dia frio
Na sacada de azulejos úmidos
Avistamos sabiás laranjeiras
Enquanto o sol se escondia

A rama seca no vaso de pedra
Equilibra arames efêmeros
Renuncia

A bagunça do medo
No meio do dia

Conto de fim de tarde
Estrelas que estão por vir

E lá do cume da torre três
Ela desvenda segredos guardados

sexta-feira, 9 de março de 2012

Tarde vazia

A gaveta lacrada no quarto escuro
Estrada de fluxo fático

Veneno lisérgico da tarde
Devorando entranhas estranhas 
Tamanha pessoa fosse 

Face nos lençóis amassados de ontem
Ela descasca romãs maduras

sábado, 3 de março de 2012


O pensador

O guerreiro medieval espreita a arte da torre
Enquanto a banda toca mansa
Em linhas paralelas

Animais da roça
Moça que dança
Madeira mogno com verniz

Os livros estão soltos
O médico foi chamado

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Earth Hour 2012 Official Video

O sapato velho no parapeito
Sacada de chão ladrilhado
lado a lado com o vento

A rama seca no vaso de pedra
Equilibra arames efêmeros
Renuncia

A bagunça do medo
No meio do dia

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Estiagem



No quintal da casa
Sombra de goiabeira
Corto galhos retorcidos

No tacho de metal
Fogo brando


Bando de canários na cerca
Farelos de cascos em meu peito


Ela me disse:


- Os açudes estão secos