segunda-feira, 12 de março de 2012

Um dia frio
Na sacada de azulejos úmidos
Avistamos sabiás laranjeiras
Enquanto o sol se escondia

A rama seca no vaso de pedra
Equilibra arames efêmeros
Renuncia

A bagunça do medo
No meio do dia

Conto de fim de tarde
Estrelas que estão por vir

E lá do cume da torre três
Ela desvenda segredos guardados

sexta-feira, 9 de março de 2012

Tarde vazia

A gaveta lacrada no quarto escuro
Estrada de fluxo fático

Veneno lisérgico da tarde
Devorando entranhas estranhas 
Tamanha pessoa fosse 

Face nos lençóis amassados de ontem
Ela descasca romãs maduras

sábado, 3 de março de 2012


O pensador

O guerreiro medieval espreita a arte da torre
Enquanto a banda toca mansa
Em linhas paralelas

Animais da roça
Moça que dança
Madeira mogno com verniz

Os livros estão soltos
O médico foi chamado

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Earth Hour 2012 Official Video

O sapato velho no parapeito
Sacada de chão ladrilhado
lado a lado com o vento

A rama seca no vaso de pedra
Equilibra arames efêmeros
Renuncia

A bagunça do medo
No meio do dia

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Estiagem



No quintal da casa
Sombra de goiabeira
Corto galhos retorcidos

No tacho de metal
Fogo brando


Bando de canários na cerca
Farelos de cascos em meu peito


Ela me disse:


- Os açudes estão secos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Barragem



A sarça arde
Na manhã passiva


Sedento
Acompanho a brisa
No caminho de pedras


Sobre a caixa d´água da vila
Andorinhas equilibram fios de luz


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A ponta do leste

Cristais de quartzo entre dedos
Marolas tépidas
De onde avisto o concreto alto
Alvo a beira mar

Tempo de alívio
Livre em conchas abertas

Gaivotas mudam de cenário
ao sol poente

O farol distante avisa
A praia é dos lobos


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cicatrizes

No cerne do ócio
Oculto em faces
Vago pelas planícies

Ventania
Fulgor revolto

No percurso de mão única
Azulejos portugueses úmidos
Válvulas lacradas no quintal