terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sereníssima

Sob douradas cúpulas de Marcos
A menina flerta com o tempo da praça


A estibordo
Segue sem bússola
Onde a névoa se apóia em caminhos liquefeitos


((( Barcos resvalam )))
Revelam corpos flutuantes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tanto mar sobrevém
mas me dói aceitá-lo
Quanto caos nos detém
Nesse cais soterrado


Porto móvel
Pouco opaco
Tanto faz o meu chão

Ilha além
Onde mais atravesso o canal


Esse vento turbulento
me afaga na maré
Caracóis perambulam
no meu barco
Guarda sol

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A distância que me afasta
da turbulência do voo
suscita nuvens recobertas

O corredor vazio
onde mãos se entretecem
A sala cheia de rusgas
onde o cactus desabrolha

Enquanto o vento balbucia
Sedimentos que escoam
na face de um tempo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Perpasso o arco da porta                        
E avisto os campos da cidade
                                                                                               
Via que leva-me a arte
Óleos de pedras que embaçam

As margens do rio raso
Espelham palácios Inválidos

Torre de ferro
Em claves de Sol 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dúvidas

Sorvo a rudeza
das tardes sem sombras
do escopo solto na gaveta

Descaso com o violão
Solo no canto da peça única

Carpete de ácaros
Cinza

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Esculturas ásperas na sala
Distorcem a tela plana

Plano de texturas ao redor da mesa
brancura espalhada ao chão

Apoio-me em labirintos fúteis
Que modelam cicatrizes

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mudanças

A fresta do vaso de cedro
Espia alheia
O rumor raso
Do caso da sala ao lado

A cortina do espelho balança
Melodia imprevista

Requintada de tons sazonais
A flor púrpura

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A porta do sol da gran via  
Conduz o urso às fontes

Marcho ronceiro ao palácio
Enquanto Quixote me resguarda
das portas da cidade

Lugarejo de vanguarda
Mãe das águas de Goya

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O mundo da linguagem me desfaz

Por entre o mundo mudo da memória
Esquecida ao acaso no asfalto
A agulha se move ágil entre dedos


Sento-me ao sol
Sou mácula que arde


Forte haste rija
Que o tempo vai brunindo