CELACANTO
PAULO PRATES JR.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Por entre frinchas de madeira de construção
Espio réstias de um mundo concreto
Restos de um muro com grades das grandes cidades
Preso ao texto de versos livres
Cálice tinto
Seco ao chão da sala
O universo numa casca de noz
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Gérbera vermelha na beira da laje
Seca sazonal na sacada de azulejos turvos
Senciente
Fujo das telas óbvias de têmperas sujas
Temperos leves
Conforme o acaso regresse
A simplicidade é o último grau de sofisticação
terça-feira, 1 de maio de 2012
Cogumelos
Entre rochas tépidas e trilhas
Tento sorver o meio
Maio
Filete d´água sobre a pedra
A primavera está distante
Fortaleza fechada
Névoa
Voam urubus a espera
No caminho dos de(compositores)
domingo, 15 de abril de 2012
Brisa mansa no lençol de seda enrugado
Corda amarrada ao cedro
Tempo nublado atrás da porta de vidro
Flor rósea desbotada em fios
Espia filete de luz
Espinhos em torno de si
Rabisco risco
Rasgo
Folhiço sujo de ontem à tarde
Ainda tem você na sala
sexta-feira, 6 de abril de 2012
A haste dúbia
Fomenta a história em linhas distorcidas
Fim de tarde laranja
Atrás da árvore farta
Chão de barro ocre
Crio caricaturas disformes
Verdes espinhos que emanam verticilos
Desabrochar ronceiro na casa doze
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Domingo
Mesa de madeira mogno
Sereno
Entre folhas caducas e espinhos
Canso a espera da flor no vaso de pedra
Esqueço-me de regar as plantas
Ora, quem é que não sabe o que é se sentir sozinho
segunda-feira, 12 de março de 2012
Um dia frio
Na sacada de azulejos úmidos
Avistamos sabiás laranjeiras
Enquanto o sol se escondia
A rama seca no vaso de pedra
Equilibra arames efêmeros
Renuncia
A bagunça do medo
No meio do dia
Conto de fim de tarde
Estrelas que estão por vir
E lá do cume da torre três
Ela desvenda segredos guardados
sexta-feira, 9 de março de 2012
Tarde vazia
A gaveta lacrada no quarto escuro
Estrada de fluxo fático
Veneno lisérgico da tarde
Devorando entranhas estranhas
Tamanha pessoa fosse
Face nos lençóis amassados de ontem
Ela descasca romãs maduras
sábado, 3 de março de 2012
O pensador
O guerreiro medieval espreita a arte da torre
Enquanto a banda toca mansa
Em linhas paralelas
Animais da roça
Moça que dança
Madeira mogno com verniz
Os livros estão soltos
O médico foi chamado
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
http://www.youtube.com/watch?v=eLPnecN7lJo
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