terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cicatrizes

No cerne do ócio
Oculto em faces
Vago pelas planícies

Ventania
Fulgor revolto

No percurso de mão única
Azulejos portugueses úmidos
Válvulas lacradas no quintal

sábado, 5 de novembro de 2011

A lua ao longe
Clara

Espia pela fresta da janela
Alumínio
Linhas paralelas desenhadas
Na direção do lago

No caminho
Conta raros cães vadios

Afago que se apaga
Na manhã cálida

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sereníssima

Sob douradas cúpulas de Marcos
A menina flerta com o tempo da praça


A estibordo
Segue sem bússola
Onde a névoa se apóia em caminhos liquefeitos


((( Barcos resvalam )))
Revelam corpos flutuantes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tanto mar sobrevém
mas me dói aceitá-lo
Quanto caos nos detém
Nesse cais soterrado


Porto móvel
Pouco opaco
Tanto faz o meu chão

Ilha além
Onde mais atravesso o canal


Esse vento turbulento
me afaga na maré
Caracóis perambulam
no meu barco
Guarda sol

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A distância que me afasta
da turbulência do voo
suscita nuvens recobertas

O corredor vazio
onde mãos se entretecem
A sala cheia de rusgas
onde o cactus desabrolha

Enquanto o vento balbucia
Sedimentos que escoam
na face de um tempo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Perpasso o arco da porta                        
E avisto os campos da cidade
                                                                                               
Via que leva-me a arte
Óleos de pedras que embaçam

As margens do rio raso
Espelham palácios Inválidos

Torre de ferro
Em claves de Sol 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dúvidas

Sorvo a rudeza
das tardes sem sombras
do escopo solto na gaveta

Descaso com o violão
Solo no canto da peça única

Carpete de ácaros
Cinza

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Esculturas ásperas na sala
Distorcem a tela plana

Plano de texturas ao redor da mesa
brancura espalhada ao chão

Apoio-me em labirintos fúteis
Que modelam cicatrizes

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mudanças

A fresta do vaso de cedro
Espia alheia
O rumor raso
Do caso da sala ao lado

A cortina do espelho balança
Melodia imprevista

Requintada de tons sazonais
A flor púrpura